O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, afirma que o Brasil pode fazer mais. O sul-coreano de 65 anos - diplomata de carreira, de fala mansa, que hoje que comanda uma organização de 192 países membros -- transformou as mudanças climáticas na grande bandeira de sua gestão. Ele defende abertamente um novo tratado "robusto e amplo", diz que os chineses - segundo maiores poluidores do Planeta - não estão fazendo o suficiente, e toca num ponto delicado: para ele, seja quais forem as medidas que Brasil, China ou ricos anunciarem, "têm que ser internacionalmente verificáveis".
O GLOBO: Em novembro, o senhor afirmou que Copenhague não produziria um acordo legalmente vinculante (que tenha metas obrigatórias). Que resultado espera daqui?
BAN: Estamos trabalhando para obtermos um acordo justo, robusto e amplo em Copenhague, que teria um efeito operacional imediato, inclusive ajuda financeira de curto prazo para os paÍses em desenvolvimento. Isso levaria a um tratado legalmente vinculante o mais cedo possÍvel em 2010. A maioria dos países concordam com isso.
O GLOBO: A morte do Protocolo de Kioto está apenas sendo adiada?
BAN: Não, não estamos mudando, não estamos comprometendo nossos princípios. Vamos ter um amplo e ambicioso tratado legalmente vinculante.
O GLOBO: Japão e Rússia estão quase saindo do Protocolo de Kioto. O Canadá está ignorando seus compromissos e os europeus dizem que não querem ficar sozinhos. Quem está levando Kioto a sério, além dos países em desenvolvimento?
BAN: O entendimento geral dos paí$membros é de continuar com o Protocolo de Kioto. Teremos um acordo para uma convenção mais rápido que pudermos em 2010. Mas aqui (em Copenhague) vamos ter um acordo politicamente vinculante cobrindo todos os quatro elementos: metas ambiciosas para os países desenvolvidos e países em desenvolvimento devem limitar suas emissões, através de ações nacionais para mitigação. Será preciso um importante pacote de ações para os mais vulneráveis, e ajuda financeira e tecnológi$para os países em desenvolvimento. Precisamos ter também um estrutura de governança global. Tudo isso nos vai nos permitir limitar que a temperatura suba além de 2 graus.
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Estes programas, realizados há duas décadas, foram originalmente produzidos pela TV Bandeirantes e eram semanais. Era uma tentativa de fazer televisão sem recursos, baseada apenas na criatividade.