O passo-a-passo da crise política no Irã


Os principais momentos dos seis dias que sacudiram a teocracia iraniana e colocaram em xeque o poder do presidente Ahmadinejad.

SEXTA-FEIRA, 12 DE JUNHO DE 2009

JOVENS IRANIANOS PEDEM MUDANÇAS NO PAÍS


Slogans inimagináveis foram ouvidos nas praças de Teerã e outras cidades iranianas esta semana. "Ahmadinejad, adeus", os jovens entoaram em enormes manifestações públicas contra Mahmud Ahmadinejad, o presidente incendiário que tenta a reeleição hoje, e a favor do moderado Mir Hosein Musavi, seu mais forte adversário.



SÁBADO, 13 DE JUNHO DE 2009

AHMADINEJAD VENCE ELEIÇÃO COM 62% DOS VOTOS; RESULTADO GERA PROTESTOS
 
O presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, foi reeleito no primeiro turno com 62,6% dos votos, contra 33,75% do moderado Mir Hossein Mousavi, segundo anunciou neste sábado o Ministério do Interior iraniano. Ao mesmo tempo, a polícia enfrentava manifestantes da oposição que protestavam contra os resultados na capital, Teerã.
Mousavi rejeitou o resultado, classificado por ele de "piada perigosa", que pode levar à tirania. O anúncio frustrou as expectativas de que a disputa pudesse ao menos ir para o segundo turno, que já estava marcado para a próxima sexta-feira (19).


DOMINGO, 14 DE JUNHO DE 2009

TEERÃ VIRA PALCO DE PROTESTOS APÓS CONFIRMAÇÃO DE REELEIÇÃO

Partidários do ex-primeiro-ministro iraniano Mir Hossein Mousavi enfrentaram a polícia e criaram barricadas com pneus em chamas neste sábado em protesto contra o resultado oficial das eleições presidenciais no país, que deram a vitória ao presidente.
 
O líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, fechou as portas para qualquer chance de usar seus poderes ilimitados para intervir nas eleições desta sexta-feira. Em uma mensagem veiculada na emissora de televisão estatal, ele pediu a população para que se una em torno de Ahmadinejad, e disse que o resultado foi um "julgamento divino". Mas Mousavi rejeitou o resultado e pediu a seus partidários que resistam às "mentiras e à ditadura" do governo.



SEGUNDA, DIA 15 DE JUNHO

OPOSIÇÃO FAZ NOVO PROTESTO CONTRA REELEIÇÃO NO IRÃ: CONSELHO INVESTIGA DENÚNCIAS

Centenas de milhares de oposicionistas desafiaram nesta segunda-feira o decreto do governo e retornaram às ruas da capital Teerã para protestar contra a reeleição do presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, na eleição de sexta-feira passada (12).

O líder reformista e candidato derrotado, Mir Hossein Mousavi, acusa o presidente de ter fraudado o resultado da votação e confirmou sua presença na manifestação marcada para a tarde desta segunda-feira, o que acalmou as especulações sobre seu estranho sumiço após o comício eleitoral.

LULA DIZ QUE NÃO HÁ PROVA DE FRAUDE NO IRÃ E UE QUER VISITAR O PAÍS


O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse nesta segunda-feira, em Genebra, que "não há provas" de que tenha havido fraude nas eleições iranianas e afirmou que pretende definir uma data para visitar o país no ano que vem. "Veja, o presidente [iraniano Mahmoud Ahmadinejad] teve uma votação de 61, 62%. É uma votação muito grande para a gente imaginar que possa ter havido fraude", disse Lula em entrevista coletiva.

"Eu não conheço ninguém, a não ser a oposição, que tenha discordado da eleição do Irã. Não tem número, não tem prova. Por enquanto, é apenas, sabe, uma coisa entre flamenguistas e vascaínos", afirmou o presidente.



TERÇA-FEIRA, 16 DE JUNHO

PROTESTOS PROSSEGUEM NO IRÃ; RÁDIO DIZ QUE SETE MANIFESTANTES MORRERAM


Os protestos contra a reeleição do presidente Mahmoud Ahmadinejad prosseguem no Irã nesta terça-feira, enquanto a rádio e a TV estatal noticiam que ao menos sete pessoas foram mortas durante as manifestações desta segunda-feira. Ontem, um dos eleitores que participava de um ato contra o presidente foi morto em confronto com a milícia islâmica Basij, ligada à Guarda Revolucionária do país.
Cerca de cem mil manifestantes favoráveis ao candidato opositor reformista Mir Hossein Mousavi foram às ruas de Teerã, nesta segunda, para criticar a suposta fraude eleitoral no pleito iraniano, que levou às urnas um número recorde de 25 milhões de eleitores.

IRÃ VETA IMPRENSA ESTRANGEIRA EM PROTESTOS "ILEGAIS"

O governo do Irã vetou nesta terça-feira a presença da imprensa estrangeira nos protestos não autorizados, anunciou o Ministério da Cultura iraniano, em uma referência às manifestações dos apoiadores do candidato reformista à Presidência e líder da oposição, Mir Hossein Mousavi.
 
O ministério afirma em um comunicado que a imprensa estrangeira deve evitar a participação ou a cobertura de concentrações que não receberam a permissão do Ministério do Interior. Segundo o ministério, os jornalistas podem continuar trabalhando de seus escritórios, mas não terão credenciais para cobrir os protestos de perto.

CONSELHO ACEITA RECONTAGEM DE VOTOS NO IRÃ; OPOSIÇÃO CONVOCA NOSSO PROTESTO

O Conselho de Guardiães, um corpo de 12 integrantes que é pilar da teocracia iraniana, afirmou nesta terça-feira que está disposto a realizar uma nova apuração dos votos da eleição presidencial realizada na sexta-feira passada (12).
A declaração foi feita um dia após o pedido do líder supremo do Irã, o aiatolá Ali Khamenei, de que o órgão investigasse as denúncias da oposição de fraude eleitoral na votação que reelegeu o presidente Mahmoud Ahmadinejad com ampla margem.

O porta-voz do Conselho, Abbas Ali Kadkhodai, ressaltou, contudo, que a recontagem será apenas das urnas em que existam denúncias de irregularidades.

CENTRO DE DIVULGAÇÃO SOBRE PROTESTOS NO IRÃ, TWITTER DECIDE ADIAR MANUTENÇÃO


O Twitter decidiu adiar uma interrupção programada do serviço, para atualização do sistema, em razão dos protestos no Irã. Tópicos relacionados à polêmica eleição no país, em que o atual presidente, Mahmoud Ahmadinejad, foi reeleito, estão entre os mais comentados do sistema de microblogs.
 
A surpreendente maioria alcançada por Ahmadinejad, que aparecia atrás do reformista Mir Hossein Mousavie nas pesquisas de opinião, gerou uma onda de violência e de protestos em todo o país --ontem, ao menos sete pessoas e dezenas ficaram feridos em manifestações, segundo relatos da rádio nacional iraniana Payam.
 
A manutenção do Twitter deveria ter sido feita ontem, mas foi adiada para hoje às 18h no horário de Brasília.
Manifestantes estão usando o Twitter para disseminar informações sobre os protestos, apesar dos esforços das autoridades do país em bloquear notícias e dados sobre o assunto. Houve, por exemplo, bloqueio das mensagens de texto, dos sites que apoiam Mousavie e do site de relacionamentos Facebook.

IRANIANOS USAM INTERNET PARA TENTAR RIBLAR CENSURA
 
Os sites mais populares têm sido o Twitter e o Facebook, mas iranianos também têm usado o YouTube, o Flickr e o MySpace para postar material, por meio de ferramentas que driblam os bloqueios impostos pelas autoridades iranianas.
A guerra virtual tem sido tão intensa que simpatizantes do presidente reeleito, Mahmoud Ahmadinejad, também têm atacado a oposição na internet.



QUARTA, 17 DE JUNHO DE 2009

OPOSIÇÃO MANTÉM PROTESTO EM MASSA E LÍDER CONVOCA DIA DE LUTO NO IRÃ

O candidato reformista derrotado e líder da oposição, Mir Hossein Mousavi, convocou o povo iraniano a um dia de luto para esta quarta-feira, com concentrações e passeatas, pelas sete vítimas dos quatro dias de manifestações em massa pela suposta fraude na eleição que reelegeu o presidente Mahmoud Ahmadinejad.

"Mousavi pede ao povo iraniano que se reúna nas mesquitas e realize marchas pacíficas para consolar as famílias dos mártires e feridos nos recentes acontecimentos", afirma uma nota publicada no site do reformista, que participará ainda de uma cerimônia.

IRANIANOS VOLTAM ÀS RUAS EM QUINTO DIA DEPROTESTOS CONTRA ELEIÇÃO

Dezenas de milhares de partidários do candidato derrotado e ex-primeiro-ministro Mir Hossein Mousavi foram às ruas de Teerã nesta quarta-feira, quinto dia de protestos contra o resultado da eleição da última sexta-feira (12) que reelegeu o presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad.

O novo protesto visa manter a pressão no governo pela anulação da votação, que deu a reeleição ao presidente Ahmadinejad com cerca de 63% dos votos contra 34% de Mousavi.

SOB NOVOS PROTESTOS. IRÃ AMPLIA CERCO E AMEAÇA MIDIA ON LINE E BLOGS


Incapaz de conter as manifestações em massa diárias da oposição, o governo ampliou o cerco contra a veiculação dos protestos contra a reeleição do presidente Mahmoud Ahmadinejad. Nesta quarta-feira, a Guarda Revolucionária emitiu um alerta a blogueiros e mídia online exigindo que todo conteúdo que "crie tensão" seja eliminado de suas páginas na Internet --refúgio dos centenas de milhares de opositores diante da expulsão dos jornalistas estrangeiros e do silêncio da mídia estatal sobre a crise política no país.

Segundo o comunicado, quem tentar burlar a nova regra será alvo de "ações legais". A Guarda Revolucionária é considerada o exército ideológico do regime teocrático iraniano e respondem apenas ao líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei --que declarou apoio ao resultado da eleição de sexta-feira passada (12).

IRANIANOS COLOCAM CENTENA DE VÍDEOS DE PROTESTOS NA INTERNET

O governo do Irã tem tentado impedir que a imprensa registre os protestos realizados contra a eleição do presidente Mahmoud Ahmadinejad. Mas as restrições ao trabalho dos jornalistas acabaram provocando uma reação de cinegrafistas amadores, que estão usando a internet para divulgar as manifestações.

Desde o último fim de semana, centenas de vídeos estão sendo colocados em sites como o YouTube. Muitos internautas também estão usando sites como o Facebook e o Twitter para relatar o que está acontecendo em Teerã.

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SIMPATIZANTES DA WEB AJUDAM MANIFESTANTES IRANIANOS EM BATALHA VIRTUAL

Pessoas de todo o mundo ajudam, por meio da internet, os opositores ao governo iraniano a driblar a censura, filtrar notícias de confrontos e a evitar a detenção. Fotos, vídeos e atualizações dos acontecimentos nas ruas de Teerã continuam chegando aos sites de relacionamento como Twitter, Facebook, YouTube ou Flickr, apesar dos esforços do governo iraniano de tornar inacessíveis os telefones celulares e a internet.

OPOSIÇÃO IRANIANA NÃO CEDE E MILHARES VOLTAM ÀS RUAS DE TEERÃ


Decididos a não deixar os protestos apesar da pressão das autoridades, milhares de iranianos voltaram às ruas, pelo quarto dia consecutivo, para pedir novas eleições presidenciais. Testemunhas contaram à agência Efe que o ímpeto que caracterizou as mobilizações desde o início, nesta quarta ficou denegrido devido à tristeza pela morte, há dois dias, de ao menos sete pessoas após uma manifestação que reuniu cerca de um milhão de pessoas.

QUINTA, DIA 18 DE JUNHO

LULA DESCARTA MANIPULAÇÃO DE ELEIÇÃO IRANIANA
 
Enquanto prosseguem os protestos contra a reeleição de Mahmoud Ahmadinejad, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva mantém sua defesa da legitimidade do pleito. Para ele, o número oficial de votos recebidos pelo iraniano, acima de 60%, indica que não houve fraude, como acusa a oposição.
Lula fez uma comparação com irregularidades no Brasil para reforçar seu argumento. "Acho impossível que alguém consiga manipular 30% dos votos. Nem no Brasil, nos Estados em que a gente sabia há um tempo que tinha mais eleitor do que população, era possível fazer essa manipulação."

OPOSIÇÃO FAZ DIA DE LUTO POR VÍTIMAS DE PROTESTOS CONTRA REELEIÇÃO NO IRÃ

No sexto dia de protestos no Irã, o candidato reformista derrotado e líder da oposição, Mir Hossein Mousavi, convocou um dia de luto no país pelos sete mortos em confrontos entre manifestantes e milicianos Basij nos protestos contra a reeleição do presidente, Mahmoud Ahmadinejad, acusado de fraude eleitoral. Mousavi pediu aos iranianos que se reúnam nas mesquitas ou em passeatas silenciosas vestidos de negro. Em comunicado divulgado através de seu site, o líder oposicionista pediu ainda que todos os iranianos marchem de forma pacífica pelas ruas para honrar "os mártires e os feridos nos recentes eventos".



 

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