Decisão sobre os caças deve ser política; avião sueco só existe no papel


 

 

O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, deu sinais quarta-feira de que o relatório técnico da Aeronáutica sobre o projeto FX-2 de renovação da frota da Aeronáutica que apontou o caça sueco da empresa Saab como o mais vantajoso para o Brasil deve ser mesmo deixado de lado pelo governo:

– A decisão será sempre política – resumiu Amorim ao participar de uma conferência de imprensa em Genebra (Suíça). – Evidentemente, vamos estudar, levando em conta as questões técnicas, mas a decisão final cabe ao ministro da Defesa e ao presidente da República.

A preferência dos militares brasileiros pelos caças suecos também não abalou o ministro da Defesa francês, Hervé Morin, que, em entrevista à rede de TV francesa BMF, lembrou que a França estabeleceu uma aliança estratégica para o Brasil traduzida na venda, no ano passado, de helicópteros militares e submarinos no valor de 4,5 bilhões de euros.

Segundo Morin, a oferta francesa inclui a transferência tecnológica ao Brasil, que passaria então a ter uma plataforma industrial para a América Latina. Perguntado sobre o preço do caça Rafale, que é considerado muito alto em relação a seus concorrentes, Morin respondeu com uma interrogação provocativa:

– É possível comparar uma Ferrari, que é o Rafale, com um Volvo, que é o Grippen? – ironizou. De acordo com Morin, o Rafale é um avião de missões múltiplas que utiliza as tecnologias mais modernas.

O ministro francês considerou normal que o Brasil não tenha anunciado ainda com qual aparelho ficará porque “adquirir um avião de combate é adquirir um conjunto de sistema de armamento, ou seja, uma decisão para 40 anos, na qual influenciam muitos parâmetros”. Durante a entrevista ele insistiu para que a Suíça, que pretende renovar sua frota de aviões de combate, também escolha o Rafale.

Já o deputado Fernando Gabeira (PV-RJ) acredita que toda a polêmica gerada em torno da questão fará que a decisão fique para o próximo presidente.

– Não há iminência de guerra. Então é natural deixar a decisão para o sucessor, assim como ocorreu no governo FHC – completou.

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