O trabalho de avaliação das estruturas dos prédios atingidos pela enchente em São Luiz do Paraitinga (182 km de São Paulo), iniciado ontem, deve durar mais de 30 dias. Até lá, as mais de 2.000 pessoas desalojadas terão de ficar na casa de parentes e amigos, já que a prefeitura admite não ter lugar para tanta gente. Sem a autorização dos engenheiros, elas não podem voltar para casa. "Será uma avaliação bastante extensa. A cidade toda ficou debaixo d'água. É [algo] para mais de mês", disse Luiz Antonio Gomes, do IPT (Instituto de Pesquisas Tecnológicos). "É preciso ficar onde for possível e conviver com esse desconforto."
O assessor de planejamento do município, Nobuhiro Ushiwata, pede compreensão aos moradores, pois a própria prefeitura está desalojada. "Não temos prédio para pôr todo mundo. Quem não tem parente para ir, aconselhamos a buscar a casa de um amigo." Uma escola usada pelo município para abrigar famílias também foi inundada. Gomes, do IPT, diz que, como parte das casas atingidas tem problemas de fundação, a análise busca a segurança das famílias. "As vezes a pessoa está crente que a casa está firme, mas uma outra desaba em cima dela. É melhor ser prudente."
De acordo como engenheiro Jairo Borrielo, 51, da Defesa Civil, um dos grandes problemas nessa tarefa é o risco de acidente. Ontem, por exemplo, houve rompimento de uma tubulação de água e um poste de energia ameaçava cair sobre um grupo de moradores que estava perto. Para evitar que as famílias voltem para as casas sem autorização, a Polícia Militar fez um cordão de isolamento; o acesso é liberado só com autorização da Defesa Civil. Cem homens faziam a segurança da cidade.
Conforme o major Francisco das Chagas Barbosa, até o final da tarde não havia invasão de imóvel. Existia, porém, a suspeita de saques. Cinco pessoas foram detidas com equipamentos eletrônicos supostamente retirados das casas. Como as vítimas não foram identificadas, os suspeitos foram liberados.
FOLHA DE SÃO PAULO
Relembre os fatos, fotos e vídeos da memorável campanha de Gabeira à prefeitura do Rio em 2008.
Estes programas, realizados há duas décadas, foram originalmente produzidos pela TV Bandeirantes e eram semanais. Era uma tentativa de fazer televisão sem recursos, baseada apenas na criatividade.