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(17) fotos

: 6 de janeiro de 2009

         
 



Brasil em Gaza


autor
Fernando Gabeira
  6.1.2008

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O Brasil precisa atuar no Oriente Médio, evitando duas armadilhas.

Uma delas é a omissão. A outra, um super dimensionamento de nossas capacidades.

Há um caminho do meio para contribuir com a paz. O chanceler Celso Amorim deixou bem claro que nosso país foi convidado a participar das negociações, inclusive na última iniciativa norte-americana.

Cessar fogo é hoje o desejo da maioria dos países que estão fora do conflito. Israel pretende entrar mais fundo em Gaza e dizimar as forças do Hamas. Pode ser que consiga isto, mas a um preço que manterá o Hamas no coração dos palestinos.

A vitória do Hamas nas eleições já prenunciava esta crise. As sucessivas dificuldades de abastecimento da área, provocadas pelo controle de Israel, acabaram estimulando a organização radical a romper a trégua.

Quando esteve em Israel, Barack Obama visitou a região atingida por foguetes e disse que se vivesse ali com sua família também tomaria a iniciativa de protegê-la contra os grupos terroristas.

Talvez isso explique o silêncio de Obama. Ele se comprometeu com a idéia de que Israel tem o dever de reagir aos ataques. Uma coisa é afirmar o direito de defesa. Outra é apoiar incursões que matam civis em grande quantidade.

Considerando que Israel e os palestinos jamais chegarão a uma solução por si próprios, o papel da comunidade internacional é decisivo . Desde que o Brasil não erre a mão, super ou subestimando sua capacidade, vamos contribuir.

Uma das coisas que fizemos no Líbano precisa ser feita agora e em qualquer outro lugar de conflito: saber quantos brasileiros estão na área, quantos querem sair e se precisam de ajuda para o deslocamento. Na guerra do Líbano, eram muitos - e foi preciso um grande esforço de negociação com Israel, que obrigou os brasileiros em fuga e adotar longos percursos.

Talvez o caminho seja da retirada e se dê via Egito ou mesmo diretamente por Israel.

   
: 4 de janeiro de 2009

         
 



Com os olhos em Gaza


autor
Fernando Gabeira
  Gaza - Foto: Daily Censored

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Não sou especialista em Oriente Médio. Infelizmente, os múltiplos problemas que caem na comissão de relações exteriores não dão a chance de especialização.

Mas os especialistas que nos desculpem. Temos o direito de pedir um cessar fogo, pois os especialistas, ao longo desse longo tempo, não conseguiram uma fórmula para acabar com o conflito.

Podemos dizer, com o amparo de singela visão política, que não há solução militar para o conflito. O objetivo de Israel é o de neutralizar ou afastar o Hamas do poder. Israel pensa em recuperar-se da tentativa no Líbano, onde o Hezbollah acabou se fortalecendo. Por que as chances de Israel não são indiscutíveis mesmo reconhecendo que o Hamas é mais fraco que o Hezbollah? Pode resistir menos. No entanto, o processo, olhando-se para a frente, dinamiza a engrenagem de ódio e pode produzir milhares de novos mártires.

Israel já deixou claro que não pretende ocupar Gaza. Os ressentimentos que deixarão para trás, potencialmente, são o combustível para reanimar o Hamas, mesmo se sair dizimado do confronto.

Achar a solução político diplomática continua sendo o melhor caminho. Em termos de comunidade internacional, temos fracassado na busca desta saída. Só podemos repetir a frase de um personagem de Beckett: não posso mais continuar, continuo.

Dentro dos limites, o Brasil deveria ajudar no processo. Temos uma grande responsabilidade, pela extensão das populações árabes e israelitas em nosso país. Aliás, um país que é bem representado pelo Saara, no Rio. Há uma possibilidade real de convivência pacífica.


Leia Mais:

Brasil, Israel, Palestina - (www.gabeira.com, 31/12/2008)

   
: 2 de janeiro de 2009

         
 



A crise como guerra


autor
Fernando Gabeira
  Gordon Brown e Obama

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No discurso de fim de ano, Gordon Brown pediu aos ingleses um esforço de guerra para enfrentar a crise.

Lula, por seu lado, pediu que os brasileiros continuassem comprando, com responsabilidade. Ressalva para evitar a euforia.

Mesmo assim são reações distintas diante de uma mesma crise. Explicam-se pelo distinto impacto nos dois países. Para ficarmos na metáfora bélica de Brown, basta lembrar que Londres sofreu mais que o Rio durante a 2ª Guerra. Na crise, bancos e instituições financeira entraram em colapso na Inglaterra, o que não aconteceu no Brasil.

Há, no entanto, um ponto em comum. Brown e Lula defendem investimentos públicos para dinamizar a e manter e, se possível, ampliar a oferta de empregos. Isso, na Inglaterra, valeu um aumento da popularidade dos trabalhistas, reconciliando o partido com grande parte de seu eleitorado.

O esforço britânico é mais complexo. Deve ser articulado com a adaptação às mudanças climáticas. A Inglaterra é um dos raros países que cresceram reduzindo as emissões de gases de efeito estufa.

Obama encarna, de certa forma, esse encontro de Keynes com a ecologia. Nova energética, abertura de milhares de empregos verdes. Além disso, promete um nível mais alto de ética na e abertura para a participação, via internet.

Será que todas essas tendências acabam dando nas praias brasileiras em 2010? Impulsionar a economia, via estado, já é disposição de Lula. Mas os candidatos à Presidência estão calados. Temem pedradas prematuras.

As campanhas aqui são mais curtas que nos EUA. O silêncio prolongado dificulta a mobilização. Queremos mesmo tirar o processo eleitoral do conforto das poltronas diante da TV? Basta seguir comprando ou podemos fazer mais?
Feliz 2009.

   
: 31 de dezembro de 2008

         
 



Brasil, Israel, Palestina


autor
Fernando Gabeira
  Foto: www.google.com

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Lula disse no Recife que os EUA protegem Israel e que iria pedir a seu chanceler, Celso Amorim, para que acionasse a França e articulasse uma negociação que não dependesse apenas dos EUA.

Imagino que Amorim vai informar a Lula que esta negociação já existe e é conduzida por quatro partes: EUA, União Européia, ONU e Rússia.

Podemos produzir um novo mapa do caminho, mas dificilmente a França vai querer abandonar o espaço de negociação já existente para criar um outro, a partir do estímulo brasileiro.

Lula disse uma coisa certa: no Brasil, judeus e árabes convivem em harmonia. Ele deveria fazer uma visita ao Saara no Rio e esta visita talvez tivesse um peso simbólico maior que o desabafo de Recife.

Outro aspecto que Lula ignorou em seu discurso é o fato de que os EUA, a partir desta semana, serão representados por outro governo. Existe uma diferença entre Bush e Obama. Não se pode afirmar que este será mais competente que aquele, mas, certamente, terá mais boa vontade.

Apesar do peso das eleições em Israel, é muito possível que a posse de Obama tenha sido um fato decisivo nos planos de Israel. Sempre que prenunciam novas negociações, os contendores querem estar na melhor posição possível.

É uma pena que tantas pessoas tenham de morrer, que não possamos resolver diplomaticamente. O escritor israelense A. B. Yehoshua declarou hoje que já estava incomodado com tanta burrice. Imaginem quando esse incômodo se traduz em bombas, ruínas, mortes e mutilações. É o caso, nesse momento, dos que moram na Palestina e no sul de Israel.

Concordo com Lula no sentido de que o Brasil deve se esforçar ao máximo. Mas conhecendo o mínimo do mapa do caminho. Do jeito que ele se pronunciou, deu a sensação de que não acompanha o processo nos detalhes.


Leia Mais:

Um novo nó na Palestina - (www.gabeira.com, 29/12/2008)

   
: 29 de dezembro de 2008

         
 



Um novo nó na Palestina


autor
Fernando Gabeira
  Foto: www.uai.com.br

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(9) comentários
 

Está começando uma nova guerra no Oriente Médio. Não se trata apenas de uma represália ao lançamento dos foguetes do Hamas. Israel pretende alterar a situação e varrer do mapa todos os edifícios que funcionam para o governo.

Por isso, a expressão desproporcional para os bombardeios talvez não seja adequada. Um jornal londrino a questionou, afirmando que isto não comove Israel. O único adjetivo que poderia ser usado é o de contraproducente. O maciço ataque israelense vai trazer novas campanhas mundiais, inspirar novos mártires, enfim lubrificar a engrenagem de ódio que ainda move a região.

Barack Obama está fora do ar até sua posse. Ele está se informando com Condoleeza Rice mas insiste na tese, correta, de que há um presidente de cada vez. Os países árabes podem protestar contra o bombardeio mas estão divididos em relação ao Hamas. Grande parte do problema cairá nas mãos do Egito pois será forte a pressão de novos refugiados palestinos no país. Além disso, os bombardeios de túneis que levariam armas para o Hamas atingem áreas muito próximas do território egípcio.

Desconfio que a quebra da trégua pelo Hamas e os bombardeios de Israel destinam-se a lançar sua mensagem ao novo presidente norte-americano. Ele terá de retomar negociações, inclusive visitou as áreas que costumam ser atingidas por foguetes em Israel. Num momento em que novas negociações podem surgir no horizonte, os contendores procuram a melhor posição. O Hamas optou pelo martírio, Israel por uma ocupação militar.

Além disso, há as eleições em Israel que devem refletir diretamente os êxitos e fracassos na batalha. Reconheço que é difícil afirmar isto, mas todo esse movimento vai desembocar em negociações. Não há solução militar permanente. Todos sabem disto.


Leia Mais:

Bombas para o Natal - (www.gabeira.com, 28/12/2008)

   
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